A prestação de contas do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) movimentou a última sessão da Câmara Municipal de Oeiras e provocou debate entre vereadores da oposição e da base governista. O diretor da autarquia, Evandro Borges, esteve no plenário após requerimento aprovado de forma unânime para prestar esclarecimentos sobre atos administrativos de sua gestão.

Um dos principais pontos discutidos foi o pagamento de diárias a pessoas que atuariam na manutenção e operação de poços tubulares na zona rural do município. O vereador Letiano Vieira apresentou questionamentos sobre notas de empenho em que beneficiários aparecem com endereços na zona urbana de Oeiras, em locais como Rosário, 13 de Maio e Praça das Vitórias, embora os serviços estejam relacionados a comunidades rurais, como Ipueira e Alto dos Currais.

Durante a discussão, o diretor Evandro Borges afirmou que os valores das diárias variam conforme a complexidade de cada serviço. Sobre os endereços, explicou que o sistema pode puxar informações padronizadas da cidade, como Praça das Vitórias, no Centro, quando o cadastro do prestador não está atualizado. Segundo ele, os serviços foram prestados às comunidades.

O vereador Nilson Miranda saiu em defesa da gestão do SAAE e pediu uma leitura mais cautelosa das informações apresentadas. Para ele, o fato de uma pessoa constar com endereço urbano não significa, por si só, que o serviço não tenha sido realizado na zona rural.

Nilson argumentou que muitos moradores do interior passam a residir na cidade em busca de outras oportunidades, mas mantêm vínculos com suas comunidades de origem. Segundo o vereador, em alguns casos, a operação do poço pode ficar sob responsabilidade de familiares, como pai, irmão ou outro parente, mesmo que o cadastro esteja no nome de quem se mudou.

O momento mais forte do debate ocorreu quando Nilson Miranda fez uma comparação direta com a rotina do próprio vereador Letiano Vieira. “O senhor fala: ‘Ah, mas o cara mora aqui e trabalha lá’. O senhor mora em Teresina e é vereador em Oeiras, não atrapalha não”, afirmou Nilson.

A fala foi usada pelo parlamentar da base para sustentar que morar em um local e exercer atividade em outro não deve ser tratado automaticamente como prova de irregularidade. Na avaliação de Nilson, é preciso considerar a realidade das famílias da zona rural e as particularidades de cada comunidade antes de apontar falhas na prestação do serviço.

Letiano reagiu à comparação e afirmou que a operação diária de uma bomba d’água exigiria presença física constante. O vereador questionou se uma pessoa residente na zona urbana se deslocaria todos os dias até uma comunidade rural para ligar e desligar um poço.

Mesmo com o embate, a defesa apresentada por Nilson reforçou a tese de que as informações cadastrais precisam ser analisadas com cuidado, sem conclusões antecipadas. A base governista também destacou a necessidade de preservar a prestação dos serviços essenciais às comunidades atendidas pelo SAAE.

Além das diárias, a sessão tratou de outros questionamentos envolvendo a autarquia, como taxas de religação via PIX para contas pessoais de funcionárias, que segue em investigação no ministério público e delegacia e contratação de veículos de terceiros. Toda respondidas com fundamento pelo então diretor do SAAE. Os órgãos de controle e a Procuradoria do Município seguem acompanhando os desdobramentos das denúncias apresentadas.