O comércio eletrônico movimentou quase R$ 2,5 bilhões no Piauí em 2025. Desse total, R$ 2,15 bilhões saíram do bolso do consumidor piauiense para lojas sediadas em outros estados. Apenas R$ 380 milhões corresponderam a vendas de lojas do próprio Piauí.
Os números são do Observatório do Comércio Eletrônico Nacional, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e foram divulgados pelo portal Piauí Negócios.
O estado fechou o ano com déficit de R$ 2,05 bilhões nas transações digitais. As saídas somaram R$ 2,15 bilhões, contra R$ 100 milhões que entraram de compradores de fora. A proporção é de R$ 21,50 saindo para cada R$ 1 que chega. É dinheiro gerado no Piauí que abastece o faturamento e a arrecadação de outras regiões do país.
O levantamento também mostra quem compra dos lojistas piauienses. Dos R$ 380 milhões vendidos por empresas do estado, 74% vieram de consumidores do próprio Piauí, o equivalente a R$ 280 milhões. Outros 21% partiram do Maranhão, somando R$ 80 milhões, e 5% de compradores de demais estados, cerca de R$ 20 milhões.
Somando as compras dentro e fora do estado, o consumidor piauiense movimentou R$ 2,43 bilhões na internet em 2025. Apenas 11,5% desse valor ficaram com lojas do próprio Piauí.
O dado revela que a loja virtual piauiense ainda vende, sobretudo, para o vizinho de porta. A vitrine é digital, mas o alcance permanece regional, concentrado no Piauí e na faixa de fronteira com o Maranhão.
O desequilíbrio acompanha um padrão nacional. Em 2024, o Sudeste concentrou 77,2% das vendas virtuais do país, enquanto o Nordeste inteiro respondeu por 5,5%, segundo o mesmo Observatório. O e-commerce brasileiro fechou 2025 com faturamento recorde de R$ 295,6 bilhões.
Para tentar virar o jogo, o Governo do Piauí mantém o marketplace Made in Piauí, executado pela Investe Piauí, voltado à venda online de produtos regionais como castanha, mel, cajuína, cachaça e artesanato. A plataforma foi premiada no edital E-commerce.BR, da ABDI e do MDIC, criado justamente para ampliar a participação de pequenos negócios do Norte, Nordeste e Centro-Oeste no comércio digital.
O levantamento não traz recorte por município. Ainda assim, o cenário estadual serve de termômetro para o varejo do interior, incluindo Oeiras, onde o comerciante local disputa o mesmo consumidor com plataformas instaladas a milhares de quilômetros de distância.
Fonte: Observatório do Comércio Eletrônico Nacional/MDIC. Dados divulgados pelo portal Piauí Negócios (piauinegocios.com.br).



