Uma entrevista exibida no programa Silas TV, de audiência estadual no Piauí, reacendeu o debate sobre os altos valores pagos por prefeituras na contratação de atrações musicais para festas públicas. A discussão foi mediada por jornalistas e contou com a participação do reitor da Universidade Estadual do Piauí, Paulo Henrique, além de um vereador de Teresina.

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Durante o debate, foi citado o caso do município de Santa Rosa do Piauí, onde, segundo relato apresentado no programa, uma única atração musical teria sido contratada pelo valor de R$ 700 mil. A informação chamou atenção por envolver um município de pequeno porte e por reacender a discussão sobre proporcionalidade no uso de recursos públicos em eventos festivos.

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No programa, também foi observado que o cachê artístico não representa, necessariamente, o custo total de uma festa. Além da atração principal, despesas com palco, iluminação, camarim, estrutura técnica, logística e outras bandas podem elevar significativamente o valor final do evento. Na avaliação feita durante a entrevista, os custos totais da festa poderiam ultrapassar R$ 1 milhão.

A fala ocorre em meio a uma nova discussão no Piauí sobre limites e critérios para gastos públicos com shows. A Associação Piauiense de Municípios passou a defender um parâmetro para disciplinar esse tipo de despesa, com a proposta de estabelecer um teto para contratações artísticas custeadas por prefeituras.

O debate não significa a proibição de festas públicas. Eventos culturais, religiosos e tradicionais fazem parte da identidade dos municípios, movimentam a economia local e fortalecem o sentimento de pertencimento da população. A questão central está na proporcionalidade dos gastos e na capacidade financeira de cada cidade.

Durante o programa, também foi citado o exemplo de Angical do Piauí, onde, segundo relato apresentado na entrevista, o prefeito teria cancelado uma festa de alto custo e destinado os recursos para a compra de uma van para a saúde. O caso foi usado como contraponto dentro da discussão sobre prioridades da gestão pública.

Outro ponto levantado foi a necessidade de avaliar se um teto único para todos os municípios seria a melhor solução. A ponderação feita no debate é que cidades maiores, com maior arrecadação e maior estrutura econômica, possuem realidade diferente de municípios pequenos. Por isso, alguns defendem que os limites considerem critérios como população, receita, situação fiscal e impacto econômico do evento.

Mesmo assim, a discussão sobre um parâmetro para contratações é vista como uma forma de orientar os gestores e evitar excessos. O Tribunal de Contas do Estado do Piauí também tem reforçado a necessidade de planejamento, responsabilidade fiscal e respeito às prioridades na realização de despesas com festas, shows e eventos comemorativos.

O caso citado de Santa Rosa do Piauí se tornou exemplo dentro desse debate justamente pelo valor mencionado durante o programa. Para quem defende maior controle, gastos dessa proporção precisam ser analisados com cautela, especialmente quando envolvem municípios de menor porte.

A discussão deve continuar ganhando força nos próximos meses, principalmente com a aproximação de festas tradicionais, aniversários de cidades e eventos juninos. O desafio dos gestores será conciliar cultura, lazer e valorização das tradições populares com responsabilidade fiscal, equilíbrio financeiro e respeito ao dinheiro público.

Link do trecho da entrevista no programada Silva Tv: https://www.instagram.com/reel/DXxcjxkuF7R/?igsh=MTVjaG1tYThsdGJvZg==