O líder político B. Sá fez um forte desabafo durante entrevista concedida à Rádio Meio Norte ao comentar a atual situação da Rádio Vale do Canindé, emissora que, segundo ele, ajudou a construir ao longo de 39 anos de luta e dedicação.
Durante a fala, B. Sá afirmou que passou a se sentir cerceado dentro da rádio, especialmente diante da imposição de limites sobre aquilo que poderia ou não ser dito no ar. Segundo ele, a situação chegou ao ponto de ser informado de que não poderia tratar de determinados temas políticos nem fazer críticas ao governo.
“Você aqui não pode promover a candidatura de Joel, você não pode aqui criticar o governo. Aí está ruim”, relatou B. Sá.
A declaração expõe um incômodo profundo do líder político com os rumos adotados pela nova direção da emissora. Para ele, a rádio sempre teve uma função social importante em Oeiras e deveria continuar sendo um espaço aberto ao debate público, à pluralidade de opiniões e à livre manifestação de ideias.
B. Sá relembrou que, em outros momentos da história da rádio, mesmo quando havia divergências políticas entre os próprios responsáveis pela emissora, o espaço era mantido de forma democrática. Ele citou o período em que Luciano ainda era um dos donos da rádio e afirmou que, mesmo estando em lados políticos diferentes, ambos tinham liberdade para se manifestar.
“No tempo que Luciano ainda era um dos donos da rádio, aconteceu vários episódios de eu estar de um lado e Luciano estar do outro, e nunca teve diferença na rádio. Todos os dois usavam a rádio da mesma forma”, afirmou.
Para B. Sá, a tentativa de controlar o discurso dentro de uma emissora de rádio representa uma postura atrasada e incompatível com o papel da comunicação na sociedade. Ele classificou a proibição como uma atitude “retrógrada” e defendeu que as pessoas possam falar, debater e se posicionar, assumindo a responsabilidade por aquilo que dizem.
“A rádio cumpre uma função social especial. É uma atitude não só atrasada, retrógrada e burra de um dirigente de uma rádio fazer uma proibição”, declarou.
O líder político também criticou a submissão de veículos de comunicação a interesses políticos momentâneos. Segundo ele, quem hoje aceita restringir vozes por conveniência pode acabar exposto no futuro, caso o cenário político mude.
“E amanhã, se essa coisa virar, mudar, e aí? Você servia loucamente a um patrão que exigia isso de você e agora mudou, você vai ficar como?”, questionou.
Apesar do tom de indignação, B. Sá afirmou que não pretende “chorar o leite derramado” e que cada pessoa deve assumir suas responsabilidades diante dos acontecimentos. Ainda assim, deixou claro o sentimento de frustração com a emissora pela qual, segundo ele, lutou durante quase quatro décadas.
Ao final, B. Sá reforçou a defesa da liberdade de expressão e fez um apelo à população de Oeiras para que reflita sobre o atual momento político da cidade.
“Deixa as pessoas se comunicarem, falar o que quiserem falar, e cada uma com a sua responsabilidade”, concluiu.



