O delegado Rodrigo Morais, diretor do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil de Carreira do Estado do Piauí (Sindelpopi) e titular da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Picos, denunciou publicamente condições de trabalho que considera abusivas sob o comando da delegada Francineide Fontes. Ele registrou um boletim de ocorrência por ameaça, após relatar humilhações e jornadas exaustivas que, segundo ele, se aproximam de um regime de escravidão. A denúncia ocorre em meio a investigações do Ministério Público do Piauí (MP-PI) e ganhou força após a morte do delegado Guilherme Tavares Escobar Morgado, que trabalhava em Picos.

As condições denunciadas por Morais incluem jornadas de trabalho que chegam a sete plantões mensais, acumulados com expediente diário, situação que ele considera incompatível com a dignidade humana. O caso de Escobar, que se afastou por problemas psicológicos e faleceu em abril, é apontado como um exemplo trágico do impacto dessas condições. Segundo Morais, a família de Escobar, incluindo a viúva e o pai, acreditam que o assédio moral no trabalho foi um fator preponderante para sua morte.

As denúncias de Morais não se limitam ao caso de Escobar. Ele relata que outro delegado também enfrentou humilhações após retornar de um tratamento em São Paulo para ideiações suicidas. Além disso, um terceiro delegado teria entregue um ofício declarando esgotamento devido ao acúmulo de funções. O Sindelpopi interveio, e o MP-PI abriu uma investigação para apurar as acusações de assédio moral e jornadas abusivas.

O histórico de condições de trabalho na delegacia de Picos é preocupante. As denúncias de Rodrigo Morais trazem à tona um problema sistêmico, onde o acúmulo de funções e a falta de suporte adequado aos delegados podem levar a consequências graves, como problemas de saúde mental e até mesmo suicídio. Os relatos de familiares e colegas das vítimas reforçam a necessidade de uma revisão urgente das práticas de gestão na delegacia.

Em Oeiras e região, o caso ressoa entre os profissionais de segurança pública, que se solidarizam com os colegas de Picos. A situação levanta questões sobre as condições de trabalho em outras delegacias do estado e a necessidade de medidas para garantir a saúde e a dignidade dos servidores. A repercussão do caso pode levar a uma mobilização maior por melhorias nas condições de trabalho dos policiais civis.

Rodrigo Morais espera que as investigações do MP-PI tragam justiça e mudanças efetivas. Ele destaca a importância de denunciar e expor práticas abusivas, mesmo diante de possíveis retaliações. “Não podemos aceitar que nossos colegas sejam tratados dessa forma. É preciso coragem para mudar essa realidade”, afirmou o delegado, reforçando seu compromisso com a causa.