Bastou um telefonema convincente para que mais de R$ 2 milhões deixassem as contas da Secretaria Municipal de Saúde de União, no Piauí. Os criminosos se apresentaram como funcionários da Caixa Econômica Federal e conduziram servidores a procedimentos que abriram as portas do sistema bancário do município.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a ação começou com um e-mail enviado à Ouvidoria por pessoas que diziam integrar a equipe de suporte do banco. Em seguida, os golpistas ligaram para o setor financeiro e orientaram os servidores a manter ligados os computadores da Tesouraria e da própria Secretaria, sob a alegação de que o sistema bancário passaria por uma atualização.
Com as máquinas disponíveis, os criminosos obtiveram acesso remoto aos equipamentos e executaram as transferências. A técnica é conhecida como engenharia social: em vez de romper barreiras tecnológicas, o golpista convence uma pessoa a abrir a porta.
O prejuízo só foi percebido na sexta-feira (24), quando a equipe financeira conferiu as contas e identificou movimentações que ninguém havia autorizado. O prefeito Gustavo Medeiros acionou a Polícia Federal, e a Prefeitura aguarda um posicionamento da Caixa Econômica Federal sobre a possibilidade de bloqueio ou ressarcimento dos valores, medida considerada decisiva para não comprometer os serviços de saúde da cidade.
A investigação deve apurar tanto a autoria do ataque quanto as falhas nos mecanismos de controle interno que facilitaram a ação. O caso se soma a uma sequência de invasões registradas em prefeituras de todo o país e reforça um alerta que já não é novidade para as administrações municipais: os órgãos públicos continuam entre os alvos preferidos das quadrilhas digitais.
Com informações do GP1, coluna Gil Sobreira: https://www.gp1.com.br/blog/gil-sobreira/2026/7/28/ataque-cibernetico-desvia-mais-de-r-2-milhoes-da-secretaria-municipal-da-saude-de-uniao-405111.html



