A Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram, nesta terça-feira (2), a segunda fase da Operação Conectados, com cumprimento de mandados de busca e apreensão em Teresina e Oeiras.
A nova etapa é um desdobramento da investigação iniciada em abril de 2024, quando a operação apurou supostas fraudes em licitações e contratos públicos envolvendo, principalmente, o município de Oeiras e Teresina.

De acordo com o MPF, a segunda fase busca aprofundar a apuração sobre um suposto grupo criminoso que teria atuado em contratos com prefeituras do Piauí, especialmente nas áreas de saúde e educação, com recursos vinculados ao SUS e ao Fundeb. Ao todo, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em Teresina e Oeiras.
A investigação aponta que o grupo teria utilizado contratos de assessoria contábil e jurídica para obter influência em processos licitatórios, acessar informações privilegiadas e favorecer empresas vinculadas ao esquema. Segundo o MPF, a operação atual mira uma “segunda camada” da organização, incluindo empresas sucessoras, possíveis sócios ocultos e operadores financeiros.
O caso teve origem na primeira fase da Operação Conectados, deflagrada em 30 de abril de 2024, quando os órgãos federais investigaram supostas irregularidades em contratos firmados pelo município de Oeiras para fornecimento de suprimentos e equipamentos de informática. Na época, a CGU apontou indícios de direcionamento, sobrepreço e pagamentos irregulares, com prejuízo potencial estimado em cerca de R$ 2 milhões.
Ainda conforme os órgãos federais, a análise do material apreendido na primeira fase indicou que as irregularidades poderiam ir além dos contratos inicialmente investigados, levando à deflagração desta nova etapa. Em 2024, um escritório de contabilidade em Teresina também foi alvo da operação, ocasião em que foram apreendidos R$ 1,6 milhão em espécie.
A atual gestão da Prefeitura de Oeiras informou que a nova fase da operação se refere a apurações iniciadas em 2024 e relacionadas a supostas irregularidades em contratos públicos firmados em período anterior. A Prefeitura afirmou ainda que respeita o trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da CGU, permanecendo à disposição para prestar esclarecimentos às instituições competentes.
Os investigados poderão responder por crimes como associação criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros que venham a ser identificados no decorrer das investigações. As responsabilidades, segundo a própria natureza da apuração, deverão ser individualizadas no âmbito do processo legal.



