A tribuna da Câmara Municipal de Oeiras foi palco de um episódio curioso que promete acirrar a polarização política local e transcender as fronteiras do município, atingindo a credibilidade do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI). O líder vereador Beron Moraes reproduziu um áudio de terceiros no microfone do plenário, deflagrando acusações de aparelhamento institucional e troca de favores políticos.

O "Áudio da Discórdia" A polêmica teve início quando Beron Moraes utilizou seu tempo no grande expediente para se defender de críticas que teriam sido feitas no sábado anterior no programa da rádio FM Vale do Canindé. O vereador afirmou que o âncora Josafá Torres, o senhor Avelá Araújo e o ex-prefeito Zé Raimundo tentaram "jogar seu nome na lama", insinuando que ele visitava os gabinetes dos conselheiros do TCE apenas para perseguir adversários políticos.

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Vereador Beron Morais

Como contra-ataque, Beron reproduziu um trecho do programa de rádio em que as vozes, atribuídas a Josafá e ao ex-prefeito, criticam o Governo do Estado por supostamente tentar emplacar a esposa do governador no TCE-PI para facilitar uma candidatura a deputado federal. O momento de maior tensão ocorreu quando uma das vozes proferiu a frase que chocou o plenário: "Aparelhar por completo logo [...] Bagunçar. Eu só não vou dizer que o Piauí virou um cabaré, porque cabaré tem ordem".

Ao encerrar o áudio, Beron questionou os colegas: "Quem foi que aparelhou o Tribunal de Contas? Foi o vereador Beron Moraes [...] ou foi o ex-prefeito Zé Raimundo?".

Suspeição sobre os Conselheiros do TCE-PI A contundência da sessão não se limitou ao áudio. Beron Moraes partiu para um ataque direto à lisura do processo que aprovou as contas do ex-prefeito Zé Raimundo por 2 votos a 1 (conselheiros Lilian Martins e Abelardo contra a conselheira Valtânia), contrariando o pedido do Ministério Público e do corpo técnico do tribunal, que solicitaram a reprovação.

O vereador Beron insinuou abertamente que a aprovação das contas está ligada a acordos eleitorais. Ele questionou publicamente os apoios políticos do ex-prefeito: "Deputado estadual, quem é? [...] Severo Eulálio. Severo Eulálio tem o quê no Tribunal de Contas? O pai conselheiro. Zé Raimundo tá votando em quem para federal? [...] Wilson Martins. Quem é que tem no Tribunal de Contas? Conselheira Lílian".

Racha Institucional e Bate-Boca no Plenário A atitude gerou um racha imediato na Casa. Durante a reprodução do áudio, o vereador Letiano Vieira tentou interromper a fala, alegando que a atitude não era permitida. Beron impôs sua voz, afirmando que era responsável por suas atitudes.

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Vereador Espedito

Já o vereador Espedito Martins classificou a insinuação contra o TCE como "muito grave". Ele advertiu que Beron estava "jogando suspeição no Tribunal de Contas do Estado do Piauí, no papel dos conselheiros como fosse uma troca política eleitoral".

Letiano Vieira engrossou o coro, alertando para o perigoso precedente aberto pela mesa diretora. Ele argumentou que, sem regulamentação, a Câmara poderá se transformar em um espaço para trazer para a tribuna brigas de "dona Maria com dona Francisca".

O presidente da Câmara, Amilton de Zé Moura, justificou que o Regimento Interno da Casa é omisso sobre o tema e cravou que a responsabilidade pelas declarações é estritamente individual. "A responsabilidade no uso da tribuna eu vejo como de cada vereador e cada vereadora. E cada um responde pelos seus atos em todas as esferas", declarou para encerrar o assunto.