Oeiras aparece duas vezes nas 269 páginas somadas dos planos de governo das seis candidaturas aprovadas ao governo do Piauí. Considerando também as cinco candidaturas indeferidas pela Justiça Eleitoral, são 388 páginas e o mesmo número de menções. O levantamento foi feito nos arquivos de proposta de governo que cada candidato é obrigado a registrar no Tribunal Superior Eleitoral, disponíveis no sistema DivulgaCandContas.
Este é o mapa desses pontos, um a um.
O primeiro ponto, e a única proposta
A menção está na página 31 do plano de Joel Rodrigues, do PP, dentro da ação programática 2.3.3, que trata da requalificação dos hospitais regionais de Porte IV. O texto diz, literalmente: "Validar e requalificar, conforme a matriz proposta, os hospitais Manoel de Sousa Santos, em Bom Jesus; Senador Cândido Ferraz, em São Raimundo Nonato; Deolindo Couto, em Oeiras; Hospital Regional de Campo Maior; Leônidas Melo, em Barras; Eustáquio Portela, em Valença; Hospital Regional de Uruçuí; e Gerson Castelo Branco, em Luzilândia."
Para essas oito unidades, o plano promete uma carteira mínima composta progressivamente por clínica médica, cirurgia geral, ortopedia, obstetrícia, pediatria, diagnóstico e urgência regional, com anestesiologia, apoio laboratorial, regulação e transporte integrados. O próprio documento condiciona o cumprimento: a expansão dependerá de linha de base, estimativa de investimento e custeio, fonte permanente, faseamento e compatibilidade com o Plano Plurianual, a Lei de Diretrizes Orçamentárias, a Lei Orçamentária Anual e a Lei de Responsabilidade Fiscal.
O degrau imediatamente acima não inclui Oeiras. Na ação 2.3.2, o mesmo plano institui quatro Centros Hospitalares de Referência Macrorregional, tomando como unidades-base o Hospital Estadual Dirceu Arcoverde, em Parnaíba, o Hospital Regional Chagas Rodrigues, em Piripiri, o Hospital Regional Justino Luz, em Picos, e o Hospital Regional Tibério Nunes, em Floriano. As salas de hemodinâmica com funcionamento 24 horas por dia, sete dias por semana, para cateterismo e angioplastia, também são previstas em Floriano, Picos e Parnaíba.
O segundo ponto, que não é proposta
A outra menção está na página 10 do plano do Professor Gisvaldo, do PSOL, e não se trata de compromisso de governo. Oeiras aparece como legenda dentro de um infográfico elaborado com dados da plataforma DataViva, intitulado principais municípios exportadores, percentual do valor total das exportações, Piauí, 2025. A cidade registra 1,0 por cento do valor exportado pelo estado, atrás de Piripiri, com 1,9 por cento, Campo Maior, com 1,8 por cento, Picos, com 1,7 por cento, e Baixa Grande do Ribeiro, com 1,5 por cento. É diagnóstico econômico, na seção que descreve a economia piauiense.
O plano do governador não tem nenhum ponto
Rafael Fonteles, do PT, candidato à reeleição, não cita Oeiras em nenhuma das 68 páginas e das 176 metas numeradas de seu plano. O documento é construído sobre uma lógica de cobertura universal, com referência repetida aos doze territórios de desenvolvimento, às 28 microrregiões e aos 224 municípios, sem atribuir ações a municípios determinados.
As únicas localidades nomeadas no plano inteiro são as regiões metropolitanas de Teresina e Parnaíba, que ganham programa próprio, e a Macrorregião de Saúde do Extremo Sul, única região de saúde citada pelo nome, com promessa de ampliação de oferta regional de serviços especializados, leitos e exames. Somam-se a elas o Porto de Luís Correia, a hidrovia do rio Parnaíba e os corredores logísticos do Anel da Soja.
Há ainda um ponto em aberto que interessa diretamente a Oeiras. A meta 146 determina consolidar os corredores rodoviários estruturantes Rota do Norte, Rota do Paraíso, Rota da Fé e Corredor Leste com 100 por cento da extensão em boas condições. O plano batiza um corredor de Rota da Fé e não define, em nenhuma passagem do documento, quais municípios o integram.
Os pontos em que Oeiras entra sem ser nomeada
Fora das duas menções diretas, há propostas cuja redação alcança Oeiras por critério, não por nome. A mais objetiva está na ação 2.2.6 do plano de Joel Rodrigues, que prevê a implantação planejada e progressiva, em cooperação com o Governo Federal e os governos municipais, de doze policlínicas, garantindo oferta regionalizada de consultas especializadas, exames, linhas de cuidado prioritárias, procedimentos ambulatoriais e acompanhamento multiprofissional. São doze policlínicas para doze territórios de desenvolvimento, e Oeiras é a sede do Território Vale do Canindé.
No mesmo plano, a ação 8.2.2 cria o programa Reviva História, com o objetivo declarado de preservar a memória do Piauí, revitalizar centros históricos, proteger bens culturais, dinamizar a economia local e fortalecer a identidade dos municípios. É o único programa voltado a centro histórico em todos os planos registrados. No capítulo imediatamente anterior, a ação 8.2.1 destina à Serra da Capivara um programa exclusivo e nominal, descrito como política estadual própria para aquele sítio.
Ainda no plano do PP, a ação 8.7.1 estrutura um calendário estadual das culturas populares e eventos com impacto econômico, que prevê seleção de eventos estratégicos, monitoramento de público, renda e legado, e apoio a festas populares e religiosas. É o dispositivo mais próximo de alcançar a Semana Santa de Oeiras em qualquer um dos planos analisados, ainda que sem citar a cidade nem o evento.
A ação 3.7.1 do mesmo documento trata da interiorização da Universidade Estadual do Piauí, com ampliação da oferta nas microrregiões e critério declarado de baixa oferta regional de ensino superior e vocações socioeconômicas dos territórios. Oeiras tem campus da UESPI desde 2000 e campus do Instituto Federal do Piauí.
No plano de Rafael Fonteles, o mesmo efeito vem das metas de cobertura total. São exemplos as centrais de exames nas 28 microrregiões, as turmas presenciais do programa CapacitIA em cada uma das 28 microrregiões, a Educação de Jovens e Adultos em todos os doze territórios, a universalização do Ônibus Lilás, o crédito produtivo do BADESPI para todos os territórios e a cobertura vacinal em todos os 224 municípios. Cumpridas as metas, Oeiras é alcançada por definição. A exceção relevante são os hubs de inovação, que somam sete unidades com meta de cobrir as quatro macrorregiões, sem garantia de contemplar a cidade.
Um ponto que exclui Oeiras por critério
No plano do Professor Gisvaldo, a proposta de ampliar a rede de restaurantes populares fixa como regra garantir unidades em todos os municípios com mais de 50 mil habitantes. Oeiras, com pouco menos de 38 mil habitantes no Censo 2022 do IBGE, fica fora desse corte por critério expresso no documento.
Os planos sem nenhum ponto localizável
Três das candidaturas aprovadas não apresentam qualquer âncora geográfica. O plano de Dra. Lúcia Santos, do PSDB, com 32 páginas, identifica a interiorização insuficiente dos serviços públicos como problema e promete fortalecer hospitais regionais, ampliar a presença de especialistas e valorizar servidores que atuam no interior, sem citar municípios. O plano de Santiago Belizário, do UP, propõe avançar no processo de interiorização da Universidade Estadual do Piauí e realizar concurso imediato para a instituição. O plano de Elizeu Aguiar, do NOVO, com três páginas, propõe ampliar, reformar e equipar hospitais regionais e implantar policlínicas, sem números, prazos ou localidades.
O que não aparece em nenhum plano
A busca não encontrou uma única ocorrência de Semana Santa, Procissão do Fogaréu, primeira capital do Piauí ou Território de Desenvolvimento Vale do Canindé em qualquer um dos onze documentos. O rio Canindé também não é citado. As rodovias BR 230 e PI 245, que servem Oeiras, não aparecem: as duas únicas rodovias nomeadas no conjunto dos planos são a BR 316 e a BR 343, ambas citadas por Joel Rodrigues e situadas no eixo entre Teresina e o norte do estado.
Nenhum dos onze candidatos nomeia qualquer um dos doze territórios de desenvolvimento do Piauí, embora a divisão territorial seja usada como referência permanente de planejamento. Joel Rodrigues emprega a palavra território 76 vezes e Rafael Fonteles cita os doze territórios de desenvolvimento 18 vezes. Nenhum dos dois especifica qual território recebe o quê.
Os dois pontos que caíram com as candidaturas indeferidas
O tema turismo religioso aparece em apenas dois dos onze planos, e ambos são de candidaturas indeferidas pela Justiça Eleitoral. No plano de Ravenna da Inclusão, do Democrata, o turismo religioso figura entre as oito prioridades do Plano Estadual de Turismo Sustentável, ao lado de Serra da Capivara, Delta do Parnaíba e litoral piauiense. No plano de Gustavo Pelo Piauí, do Avante, os itens 115 e 116 da lista de propostas determinam fortalecer turismo religioso e valorizar patrimônio histórico. Nenhum dos dois indica municípios.
Entre as seis candidaturas com registro deferido, a expressão turismo religioso não aparece nenhuma vez.
Como o levantamento foi feito
Os onze arquivos de proposta de governo foram obtidos no sistema DivulgaCandContas do Tribunal Superior Eleitoral e convertidos em texto por dois métodos independentes de extração, para evitar perda de conteúdo. Nenhum dos documentos é digitalizado, o que descarta a possibilidade de menções ocultas em imagem. As buscas foram feitas sem acentuação, em caixa baixa, desfazendo hifenização e quebras de linha, e todas as ocorrências ambíguas foram conferidas no contexto. A situação das candidaturas corresponde ao registro no TSE em 20 de setembro de 2026 e está sujeita a alteração por decisão judicial.
Imagem de capa: ilustração produzida por inteligência artificial. Não é fotografia nem registro de fato.



